Devia ter sete, oito anos quando numa tarde de Domingo descendo a Av. Infante Santo com minha mãe, reparo nele, sentado num carro estacionado a meio da avenida...
Assistiu a um bonito espectáculo; uma miúda franzina a puxar pela mão da mãe sem querer "arredar pé" dali. Depois de eu ter implorado muito, a minha mãe envergonhadíssima aproximou-se e pediu um autógrafo para mim.
Lembro-me como se fosse hoje, as barbas coloridas, o padrão da roupa, os anéis, a forma gentil como falou comigo... era o António Variações
Num país atrasado culturalmente, a música e a excentricidade que caracterizavam António Variações fizeram correr todo o tipo de boatos.
Ser-se diferente e ousado num país com décadas de ditadura era ser-se muito corajoso.
Tal como o António Variações disse um dia, tinha nascido demasiado cedo.
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