04/10/11
26/09/11
22/09/11
Ensina-me a viver sem ti
Aprende-se a viver com isto. Como uma doença crónica ou um defeito de nascença. Aprende-se a viver com isto, a deixar de contabilizar as horas e os minutos...lembras-te quando calculávamos até à exaustão o tempo que faltava para cairmos nos braços um do outro, e tu só dizias...está quase...e eu respondia...e hoje já não conta!
Aprende-se a viver com isto, a deixar de adormecer pela manhã, embalada pelo chilrear dos pássaros madrugadores...o ritual era conhecido...aninhávamo-nos um no outro...eu puxava as tuas mãos para junto do meu peito...e por fim adormecíamos.
Aprende-se a viver com isto, a relembrar as músicas que ouvíamos juntos...e contigo a trautear uma ou outra letra em inglês, achava-te piada. Aprende-se a viver com isto, com a falta das tuas mãos nas minhas, de sentir cada bocadinho de ti...da tua pele macia e dos teus ossos sempre à espreita. Aprende-se a viver com isto, a tua voz ensonada pela manhã, a sms de bons dias, e o sorriso alegre que me faziam sentir a miuda mais feliz do mundo, embora a quilómetros de distância...Ensina-me agora a viver sem ti...sem o teu cheiro, sem os teus olhos cintilantes, sem a tua energia, sem o entusiasmo com que te entregas em tudo o que fazes...sem a nossa cumplicidade e sem a nossa alegria! Diz-me que estás feliz e te sentes completo, totalmente preenchido por quem habita em ti.Que te sentes desejado e amado...Não quero aprender a viver sem ti...
21/09/11
Fico
Fico à tua espera, mesmo sabendo que não vens. Sei que não vens, mas mesmo assim fico. Ainda te lembrarás de mim? Fico. Não me perguntem nada, não me macem, deixem-me ficar apenas. Fico à mercê das palavras que escreveste, dos sorrisos que esboçaste e das noites em que nos amávamos em frente à lareira. Fico. Fico à janela deste cigarro, único farol de mim. Desde que saíste eu nunca mais fui a mesma. Quando cheguei e não estavas não me encontrei. Procurei-me e procurei-me mas em vão. Não sei de mim, onde me terei guardado, onde me terei metido. Não sei de mim. Se calhar levaste-me. Procura recordar-te, vê se te lembras. É importante para mim. Faço-te falta. Pensa bem. Tenta recordar-te. Contigo levaste aquela gargalhada aberta, que tão bem me fazia. Procura bem nos bolsos do casaco. No bolso de trás das calças onde eu me metia quando passeávamos pela rua agarrados. Procura-me bem no teu peito, pelas vezes que nele adormeci. Procura-me no teu olhar. Não é outra senão eu quem ainda vês, sentada na cadeira da cozinha com os pés pousados nas tuas pernas. Não voltas eu sei, mas ao menos devolve-me, ainda me tens?
12/09/11
História da princesa moura e do dragão azul
"Esta é a história de uma princesa moura das terras quentes do sul
e de um dragão azul - que era afinal um príncipe das terras altas do norte
Andava a princesa desaustinada, numa noite de temporal e absolut vodka, num reino que ficava equidistante
(Ela não sabia do que andava à procura.)
Entrou na sua carruagem puxada por noventa cavalos e tinha apenas percorrido alguns metros quando se lhe atravessou no caminho um jovem dragão azul com figura de príncipe, molhado como um pinto por causa da chuva que caía muito forte. Ela parou, baixou o vidro da carruagem, e ele quis saber que música vinha ela a ouvir e para onde ia ela àquela hora da madrugada.
Logo aí a moura percebeu que era um dragão azul das terras altas do norte que lhe falava a sorrir, e foi sem ela se dar conta que ele a raptou, convidando-a para sua casa...Ainda se perderam, porque o belo dragão ainda não sabia de cor o caminho de casa.
Mas a princesa deixou-se levar até ao castelo, feliz por acreditar que o dragão não lhe iria fazer mal - quem sabe seria um príncipe? (Parecia mesmo um príncipe que ela já tinha visto num filme!...)
Encontraram-se numa noite de temporal entre o norte e o sul
e foi ela que o guiou sem saber que estava a ser raptada.
Quando chegaram ao castelo o príncipe abriu a porta devagar e entraram os dois pé ante pé, pois todos se encontravam já a dormir.
Os aposentos continuavam mergulhados na penumbra da madrugada e a princesa moura ficou a saber que no castelo não havia luz nem água, e por isso foi preciso acender uma vela.
Conversaram de música e cinema durante um bocadinho, mas o dragão dentro do príncipe começou a beijar a moura, que estava cheia de medo.
(Não é todos os dias que uma moura é raptada por um dragão azul das terras altas do norte!...)
E cheia de medo ela se foi entregando devagarinho até deixar de ser princesa, para se transformar numa sereia nos braços do belo príncipe...
Abraçaram-se muito, beijaram-se muito, mas ela temia que o dragão fosse apenas mais um sapo, e lá se ia protegendo como podia, dando muito mas não tudo.
Queria sossegá-lo, ao príncipe, mas o dragão não queria sossegar...
E foi preciso muito carinho e ternura e paciência para adormecer o príncipe e o dragão dentro dele...
Depois a sereia procurou peça a peça as suas roupas espalhadas pelo chão e foi-se vestindo devagar e sem barulho, para não o acordar.
Ela apagou a vela, tapou o príncipe adormecido e beijou-o docemente na face. Ele sorriu, sem abrir os olhos.
E a moura disse "Até logo".
Encantada."
por Pedro Paixão
31/08/11
Acredito nos finais irreversíveis, na impossibilidade real do reencontro, no poder afirmativo da ausência, no esbatimento das lembranças, hoje inteiras e amanhã pela metade. Acredito no dedo que se contrai antes do send, no delete antes do envio, no move to draft, nas palavras em suspenso no nada. Acredito no SMS não enviado, no telefonema que não chega a ser feito, no nome que fica na lista, perdido entre tantos outros contactos. Acredito no dito que nunca será dado pelo não dito, na vida que continua a esgalgar-se à nossa frente, nos homens e nas mulheres que nos apagam e apagarão de vez um do outro. Acredito nos teus e nos meus amores maiores, nas opções certas e na determinação da escolha. Acredito que se pode jogar e ganhar, mesmo quando se pensa que se perde, e também creio no inverso: que às vezes se perde mas se está convencido de que se ganhou. No entanto, não acredito numa única palavra do que me disseste para além daquilo que é a verdade. Vais sentir-me em ti durante algum tempo,depois vais esquecer-me, e deixar que a memória se encarregue de me apagares de ti. Vais esquecer o meu nome, os meus olhos e o meu cheiro. Afinal podes já ter esquecido muito, atropelado pela realidade que te rodeia. Mas as saudades, essas são bem reais, e não são só minhas. As saudades têm cheiro de jasmim e de terra molhada, de incenso e lareira. De noites mal dormidas, de viagens de comboio e de beijos mágicos. As saudades têm a forma de aviões de papel espalhados pela casa, de músicas cantadas em coro, de gargalhadas e de partilha, de longas conversas e de olhares silenciosos...
13/07/11
Palavras
As palavras não saiem facilmente, embora eu saiba quais as que quero dizer-te.
Foi a palavra que nos uniu. Foram os silêncios, as conversas alegres e as descobertas que fazíamos…foi um laço forte que nos fez querer estar juntos, conhecer-te e vislumbrar esses olhos transparentes de que não me canso nunca.
Agora, sinto um vazio muito grande, e sempre que ouço uma música, recordo um momento ou alguém me fala de ti e me pergunta como estou, as lágrimas teimam em cair. Não foi sempre assim. Os meu olhos eram felizes e sorridentes e falava de ti sempre cheia de orgulho e de confiança; tinha por fim encontrado a pessoa que me completava, que entendia os meus silêncios e percebia no som da minha voz o meu estado de espírito.
Vivi contigo os melhores momentos da minha vida, senti-me amada e desejada como nunca o tinha sido. A tua doçura e os cuidados que tinhas comigo deixavam-me cada vez mais encantada. A distância física que nos separava tornou-se cada vez mais curta.
Fui descobrindo e entrando no teu mundo devagarinho, um mundo bondoso e sem maldade, onde a generosidade e o companheirismo estão sempre presentes. Pela primeira vez senti-me integrada, respeitada e com vontade de fazer coisas e de aprender.
Fui descobrindo e entrando no teu mundo devagarinho, um mundo bondoso e sem maldade, onde a generosidade e o companheirismo estão sempre presentes. Pela primeira vez senti-me integrada, respeitada e com vontade de fazer coisas e de aprender.
01/05/11
Como é que se escreve a felicidade??
Como é que se escreve a felicidade? Como é que digo sobre as minhas pernas enroscadas nas tuas, e de quando agarro na tua mão contra o meu peito para adormecer. dos meus dedos a acariciarem-te os cabelos e da tua língua a brincar no meu corpo. dos teus olhos, que me fitam e que dizem tanto... da urgência de te ter colado a mim. Como é que descrevo? que as probabilidades de tudo isto acontecer eram de milhão para um. Como é que transmito? que me apetece estar sempre ao teu lado, dar-te colo, mimar-te e fazer-te feliz.Como é que expresso? este sentimento que começou a crescer devagarinho com muito medo e ansiedade. Sim, como explicar? que foi o acaso, uma coincidência e uma empatia invulgar. Que a tua sensibilidade me comove e que por vezes fico silenciosa só a olhar-te. Como explicar? que as coisas são simples, afinal, e que a dor não passa de um caminho de sentido obrigatório que não dá para mudar de direcção ou passar ao lado... até que um dia chegamos a quem nos espera desde sempre? Como descrevo? esta sensação de sentir-te sempre tão perto, como se o Porto fosse já ali no fim da rua?
04/10/10
Um espaço para brincar com letras
Um site muito divertido e que nos permite brincar com letras.É uma parafernália de desenhos, ilustrações e muita côr!!
Mais aqui: http://www.letterplayground.com/
Mais aqui: http://www.letterplayground.com/
04/08/10
Journey
Imagens do filme "O amante", adaptação ao cinema por Jean-Jacques Annaud apartir do romance auto-biográfico de Marguerite Duras.
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